25 de maio de 2012

Eu estava certa

Resolvi escrever novamente porque, apesar de eu continuar namorando, me lembro deste blog com bastante frequência. A razão é simples: pude constatar, nesses sete meses acompanhada, que eu estava certíssima nas minhas reclamações e afirmações sobre as vantagens de ter um namorado ou algo do tipo em São Paulo.

Faz tanto tempo que não mexo neste blog que agora fica difícil saber em que post escrevi cada coisa, mas quem me acompanhava sabe como eu reclamava e sofria de solidão. Eu perdia baladas por falta de companhia, eu ia a festas sozinha, minha mochila era minha companheira de viagem, e cinema, parque e pracinha sábado à tarde eram programas que eu fazia sem nem esperar mais que alguém fosse comigo. A aproximação de um feriado, férias, mês de carnaval, ano novo, Virada Cultural ou um show imperdível era motivo de depressão, e não de alegria, como seria para qualquer mortal comprometido. "Mais um ano novo sozinha ou no meio de dez casais". Super animador.

Quando eu choramingava a minha triste situação, não eram poucos os que protestavam com os famosos blá-blá-blás de que eu "só ia ser feliz no dia em que eu conseguisse ficar bem sozinha, sem depender de ninguém". Que poético. E que grande merda.

Sabem que aquele aperto que ficou no meu peito anos a fio desapareceu? Sabem que neste momento estou tranquilíssima e contente porque mês que vem tem festas juninas para eu ir? Não poderia ser diferente: um namorado pode não estar 100% do tempo presente ou disponível para te acompanhar em tudo, mas ele está lá na maior parte das vezes e se esforça para te fazer companhia. E quer te fazer companhia. E quer a sua companhia. Ainda mais quando você tem a sorte - merecida - de encontrar alguém que goste de fazer as mesmas coisas que você.

Como comentei, meu namorado não está todo o tempo presente por causa do trabalho e do filho, e isso não está sendo um problema. Só que é nessas horas que eu me lembro como era ser solteira: a dificuldade para conseguir companhia para fazer qualquer coisa continua enorme. Hoje, por exemplo, um dos motivos para eu estar escrevendo é a absoluta falta de algo legal para fazer. Eu bem que tentei - falei com cinco amigos - mas não consegui nada. E aí me vem aquela lembrança "ótema" de meses atrás, quando esse esforço em vão e os dias de tédio eram permanentes.

Ou seja, continuo achando que não ter alguém nessa idade em São Paulo é a maior roubada e agora posso afirmar com propriedade que eu estava certa, e a galera do blá-blá-blá, errada. 

Foi só para dizer isso que eu vim. ;)  Quem sabe me animo e escrevo mais coisas da minha experiência conjugal... Afinal, nada é perfeito.

Até mais!


6 de fevereiro de 2012

Assistam

Eu sempre comentei aqui que eu achava o seriado Sex and the City bem feito, engraçado, realista e que eu me identificava com quase tudo. Mas tem sempre aquele pensamento ou crise que você já teve e que nunca ouviu ninguém falar sobre aquilo, muito menos apareceu na série de TV. Pois bem, Sex and the City é tão bom que até parte da minha atual crise foi retratada, incluindo o post Caprichos. Achei um ótimo vídeo para vocês verem. Espero que gostem! Escreverei as soon as possible para amarrar tudo. ;)


28 de janeiro de 2012

O Luz

Houve aquele momento na minha vida, após o primeiro fim com o Irresistível, em que tive ou quase tive depressão. Minha relação com ele acabou por causa de outra menina, a amizade com minha melhor amiga foi pelo ralo, eu não tinha amigos para sair, fui morar sozinha e meu emprego sugava todas as minhas energias. O toque do despertador todas as manhãs era uma tortura. A aproximação do fim da sexta-feira era angustiante: tinha medo do meu destino solitário naquela noite e no sábado e no domingo. Não sabia o que era pior, durante a semana ou o fim de semana, e além de chorar me perguntava o que eu estava fazendo aqui neste planeta, afinal de contas. Me senti abandonada à própria sorte e comentava com praticamente o único amigo que havia restado que se eu sumisse do mundo ninguém ia nem notar. E não duvido, mesmo.

Sem o Irresistível mergulhei num marasmo digno de nota. Não conhecia ninguém, mas ninguém mesmo quando saía, o que fez todos os outros motivos da minha tristeza ficarem ainda maiores. Eu me lembro que nessa época foi quando comecei a ir a baladas sozinha, e simplesmente não aparecia ninguém que se interessasse por mim, ou alguém por quem eu me interessasse, nada dava certo, ninguém ligava para mim ou combinava comigo. Um horror tremendo.

Eis que um dia por um milagre recebi um convite para ir numa balada com a Amiga, o Namorado da Amiga e a Amiga da Amiga. Como eu não podia me dignar a recusar um convite, lá fui eu, carregando a minha depressão nas costas. Estava lá no meio daquele monte de gente que não interessava por mim e por quem eu não me interessava quando adentra o recinto o amigo do Namorado da Amiga.

(suspiro)

Fui logo apresentada ao moço. Naquela hora ali só estava eu e o Namorado. Conversamos um pouco os três e foi interesse à primeira vista. O moço era boa-pinta, daqueles que você bate o olho e quer para você, e mostrou-se bom de conversa e gente fina. Fora que a perspectiva de conhecer alguém que é amigo de um conhecido é muito mais animadora do que sair à noite sozinha e tentar conhecer gente - uma luz no fim do túnel. Fazia tanto tempo que eu não sentia aquilo, aquele friozinho na barriga, aquela vontade de me aproximar de alguém e a ansiedade da possibilidade de um beijo ou algo mais, que derreti ali na pista.

Logo depois, encontrei a Amiga da Amiga e na mesma hora comentei com ela: 

- Você viu o Amigo do Namorado??
- Que amigo?
- Chegou agora há pouco um amigo do Namorado. O cara é de enlouquecer.

Um parêntese: na minha concepção de relação amigas x homens, isso que eu fiz era um aviso claro de "eu vi primeiro, estou interessada e vá procurar outro para você". Amigas já me confirmaram que a regra é essa mesmo.

O regulamento da Amiga da Amiga, entretanto, parecia ser o oposto. Mal comentei sobre o Luz (taí o apelido) e já estava ela, depois de também ser apresentada, num eterno papo com ele. Eterno. Tão longo que percebi o que estava prestes a acontecer e, sem querer presenciar o fato, me retirei para o conforto do meu gelado e vazio lar. Eu não me lembro do que aconteceu comigo exatamente, mas é bem provável que eu tenha chorado muito, de tristeza por ter perdido a chance com ele e de raiva da Amiga da Amiga, aquela vaca.

Dois dias horrorosos depois, a Amiga me manda um SMS me chamando para um fim de domingo no meu bar favorito. Disse que ia com o Namorado, e eu topei, com sempre, sem hesitar. Pelo menos a Vaca não ia estar lá. Mas estava, junto com uma amiga, e do outro lado da mesa, o Luz, além da Amiga e do Namorado, claro. Se a Vaca tinha feito o que fez, eu estava era achando muito engraçado eles não estarem juntos na mesa, pouco me importando para o que tinha acontecido entre eles e me senti ainda no páreo.

Conversa vai, conversa vem, a Vaca logo resolveu ir embora com a amiga, o que foi celebrado por mim: "Já vai tarde". Sobramos os quatro então: eu, o Luz, a Amiga e o Namorado. Conversamos bastante, e pude conhecer melhor o rapaz, o que só me fez ficar ainda mais interessada. Eu só podia deduzir que ele e a Vaca não tinham ficado naquela outra noite (eu e o meu lado mau até podemos imaginar porquê). Lá pelas tantas a Amiga e o Namorado se levantam para partir. Houve um momento de dúvida entre mim e o moço, mas resolvemos ficar mais.

Ele ficou sentado do meu lado numa mesa retangular para quatro pessoas, e eu parecia sentada nas nuvens. Ali pertinho dele eu pude ver bem o seu rosto, o sorriso, o cabelo, os olhos meio esverdeados. Contamos um pouco de tudo um para o outro, como uma típica conversa de pessoas que querem se conhecer e confirmar cada vez mais que combinam e têm muito em comum. Estava sendo uma trégua depois da tempestade por que eu vinha passando. 

Como nem tudo o que reluz é ouro, quando fomos nos despedir ele foi simpático mas não pegou meu telefone nem me acompanhou até o carro (já era tarde e o carro dele estava para o outro lado). Percebi que tinha algo ali. Dias depois a Amiga me explicou toda a história:

O Namorado estava há tempos querendo apresentar o Luz para a Vaca, e foi naquela festa que eles se conheceram. Ou seja, por mais que eu tivesse comentado com ela sobre ele, antes mesmo de ela ver quem era o tal do rapaz, eles já estavam "prometidos". Eu era mesmo uma carta fora do baralho naquela época, em todos os aspectos. Eles não ficaram nessa festa mas, apesar de o Luz ter gostado de mim e me achado bonita e blá, blá, blá, ele não quis misturar as coisas e resolveu se concentrar na Vaca, que sob o ponto de vista deles tinha chegado antes de mim. Dancei. Eles saíram durante um tempo e não sei quando acabou.

Se essa história tivesse acontecido recentemente eu ia me abalar por uns vinte minutos e iria logo esquecer tudo. Só que isso rolou num momento em que eu estava fragilizada ao extremo, sozinha, com a auto-estima em frangalhos e carente de homens minimamente a ver comigo. Não foi fácil. A historinha foi breve mas me marcou e perdurou doendo dentro de mim. Veio à tona a mágoa da Amiga, que tinha se afastado no momento em que eu mais precisava de alguém, e se ela não tinha contato comigo, eu também não tinha contado com o Namorado, e não era de mim que ele iria lembrar quando quisesse apresentar alguém para o amigo. Perder uma chance dessas foi inaceitável, duro e apagou-se a única luz em meses. Lá estava eu de novo no túnel escuro. Foi o ó.

Resolvi escrever essa história porque outro dia o Namorado levou o Luz num encontro com uns amigos. Até cheguei a demorar para reconhecê-lo mas foi o Namorado me apresentar o moço - ele não se lembrava que eu já conhecia o Luz - para eu ter certeza, pelo nome, que era ele mesmo. Estava um pouco diferente, sem barba. Ele não se lembrou de mim, vejam que curioso. Não senti quase nada revendo ele, só me trouxe todas essas lembranças de volta. Senti um pouquinho da dor outra vez, mas foi mais pena pelo o que não aconteceu do que sofrimento. Deu mais dó ainda porque conversei bastante com ele esse dia, e de fato o moço é bem interessante. Fiquei pensando no que poderia ter sido e que há três meses eu ainda estava solteiríssima, e teria sido magnífico reencontrá-lo. Uma lástima, mas são definitivamente águas passadas. 

Passei uns dias pensando nessa história, e já que finalmente, depois de três anos, eu tinha o contato dele, escrevi contando brevemente o que tinha significado para mim a nossa brevíssima história. Lamentei o que deixou de acontecer, mas tive orgulho de dizer que agora estou em outra fase. Quem está se lamentando agora é ele. Uma pena.




17 de janeiro de 2012

Caprichos

Já dizia o bom e velho Mick Jagger que ele can't get no satisfaction. Eu também não, parece.

Imaginem que estou saindo com uma pessoa linda e que está tudo indo bem, como contei nos últimos posts. Contei para a Amiga coisas sobre ele, como ele se comporta, como reage a certas coisas, e ela não pôde acreditar em tamanha fofura do moço. Ele é atencioso, carinhoso, sensato, sincero, maduro e não tem aquelas manias enlouquecedoras como ter ciúme obsessivo, encanar com os ex da mulher ou com qualquer outra besteira do tipo. O rapaz já fez quase tudo e é quase tudo que eu sempre pedi, esperei e reclamei não ter: me acompanha em tudo, viajou comigo, gosta de viajar, não faz joguinhos, está apostando em mim, sem medo do que vai parecer passar o fim de semana comigo, ir viajar comigo, conhecer meus amigos, apresentar os dele, etc.

Comentei em outros posts, entretanto, que nem tudo é perfeito, e tudo bem não ser porque tem coisa boa de mais para eu reparar nos problemas. O tempo porém parece me colocar certas questões que estão dando voltas a cem por hora na minha traumatizada e ansiosa cabecinha:

1) Qual é o limite do aceitável em termos de coisas que desagradam?
2) Estou no fim das contas querendo um homem perfeito? Ou eu aceitaria outros tipos de defeitos com mais tolerância?
3) Estou desanimada e tensa pensando nessas coisas acima porque ele não admite que estamos namorando? (porque se isso que estamos tendo não for namoro, então eu sou mesmo um E.T.)
4) Ou eu estaria assim mesmo se nós já fôssemos namorados?
5) Eu quero ele como namorado?
6) Quero. Mas parece que não vou ficar plenamente satisfeita.
7) Estou querendo um homem perfeito? Não acredito, Paulistana, que agora que caiu esse anjo do céu você começar a reclamar de novo!
8) Essas coisas que quero tanto são meros caprichos idiotas de menina mimada? Ou tenho razão para desejar tais coisas? Ou tenho o direito? Ou mereço?

Ontem na hora em que fomos dormir umas coisas normais que ele falou fizeram não sei por que todas essas questões se emaranharem na minha cabeça, formando um verdadeiro nó que só hoje parece que fui capaz de desfazer, como vocês podem ver nesses oito tópicos.

Eu, no fim das contas, fazendo um balanço e uma análise da minha solteirice de cinco anos, não gostei do que aconteceu comigo. Eu não queria ter ficado tanto tempo solteira. Eu queria ter conhecido alguém lá pelos 28, alguém que estivesse mais ou menos no mesmo pé da vida, para fazermos juntos o que desejássemos. Eu queria ter feito muitas das viagens que fiz com ele. Eu queria decidir com ele se gostaríamos de ter um filho ou não. Eu queria ter conhecido alguém que ainda tivesse aquela vontade de encontrar uma namorada, e ficasse contente e realizado ao me conhecer, e me visse como namorada, e sonhasse ficar comigo até quando a gente ainda se amasse. 

Não sei se me faço clara. Eu queria o frescor de um homem que ainda não viveu determinadas coisas para eu poder viver essas coisas com ele. Alguém que viesse sem aquela bagagem que não se pode despachar jamais, como um filho. Eu queria poder ser bem egoísta e ter ele só para mim. Isso é um capricho idiota? Não sei. Eu tenho 32 anos mas eu sinto falta de ter vivido relacionamentos de gente mais jovem, que ainda não tem tanta responsabilidade, que não tem um filho para criar, e que tem aquele sentimento no coração de querer um relacionamento romântico, cheio de otimismo e até de certa ingenuidade. Eu não queria pular essa fase da minha vida. Eu não queria saltar do namoro meio adolescente, morando na casa dos pais, sem grana, sem poder realizar um só sonho, para o namoro pé no chão, que resiste em assumir que é namoro, que tem tantas outras questões importantes e adultas para considerar na hora de dar cada passo. Não queria alguém que já viveu um relacionamento do começo ao fim, com noivado, casamento, festa, lua de mel, casa construída, filho e separação, e que agora talvez não se sinta tocado por mais nada e por mais ninguém. Cai das nuvens para a vida real e leva consigo pelo chão os que entram na sua vida.

Eu ainda quero voar. É pedir muito?

(Pode ser que ainda seja muito cedo para dizer que não poderei voar com ele. Esse é só o relatório atual dos meus sentimentos.)


7 de janeiro de 2012

Ainda recomendo a leitura

Meses atrás sugeri a leitura completa das colunas do Ivan Martins e hoje reitero minha recomendação, sobretudo pelo último texto: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/01/o-que-eu-quero-de-voce.html

Boa leitura! ;)

30 de dezembro de 2011

Uma pausa neste blog

Ontem eu estava conversando com um senhor e ele comparou não sei o quê a um artista, que só faz arte quando está sofrendo, aflito com algo, sozinho, triste, em dúvida. Foi impossível não me lembrar de mim mesma neste atual momento: feliz, satisfeita, calma e, portanto, sem inspiração ou vontade para escrever.

Vocês devem ter notado que minha produção por aqui caiu bastante e acho que podem imaginar o porquê. Eu e o Intelectual II nunca paramos para conversar sobre nós, mas as coisas estão indo bem o suficiente para eu arriscar dizer que somos namorados. 

Antes, imersa no tédio da minha triste e solitária solteirice, eu achava que o dia em que finalmente desse certo com alguém eu ia comemorar com os amigos próximos, abrir uma champanhe, rodopiar pela sala, soltar fogos de artifício. O curioso é que o máximo que rolou foi um "toca aqui" com o Amigo outro dia, porque no fim fica claro que começar um relacionamento é a coisa mais natural do mundo e não há motivo para muita festa. Na real eu tentei mostrar aqui no blog que de fato eu acredito que começar um relacionamento é uma coisa hiper natural, mas não era o que eu notava nos homens, pelo menos nos que conheci. O que estou tendo com o Intelectual II é uma prova de que é tão natural que você nem sente a transição da solteirice para o comprometimento, nada dói, não há ansiedade, dúvida, insegurança, desconfiança. É muito bom pisar em solo firme, e não em ovos, mesmo que não tenham sido dado nomes aos bois ainda. Acho que isso ainda não aconteceu porque tanto eu quando ele preferimos dar tempo ao tempo, ir vivendo como dá vontade e, como não podia deixar de ser, naturalmente virarmos algo - namorados.

Uma vez escrevi sobre tipos de relacionamentos. Admito que o Intelectual II não me conquistou como o Perfeito, ainda não me deu tanto tesão quanto o Irresistível, não representa uma aventura como o Estrangeiro, não é lindo como o Bonitão. Mas quem precisa de tanta perfeição, tesão, aventura e beleza,  acompanhados sem exceção de dor e decepção, quando se tem sintonia, respeito, admiração, tranquilidade, segurança e sinceridade? A perfeição, o tesão, a aventura e a beleza também existem, em outras escalas, e o conjunto que se forma é delicioso. O que mais eu posso querer?

A gente adora dizer que vivendo é que se aprende, que nada como o tempo para a gente se transformar e tal. Pois eu tenho quase certeza de que se eu tivesse topado com esse moço lá por 2007 eu teria me incomodado com determinadas coisas. Eu teria sido mais exigente, eu veria problemas, eu reclamaria da diferença de idade, dos sinais da idade, da rotina e muitas outras coisas. Não acho que foi apenas o fato de eu ter ficado solteira e sozinha tanto tempo que me tornou mais tolerante, mas fica claro que deu mesmo para entender o que realmente importa e ser capaz de dar valor ao que merece valor. 

Não há como negar que saímos mais fortes dos períodos difíceis da vida e que, no fim, essa longa experiência por que passei serviu para alguma coisa. Serviu para eu encontrar alguém, serviu para eu ficar melhor se esse relacionamento não durar ou acabar daqui a muitíssimo tempo, e estou certa de que minha próxima fase solteira será bem mais fácil de ultrapassar. Aliás, estou escrevendo para dizer que pauso este blog por ora, mas sempre há a possibilidade de eu voltar a ter histórias de paulistanas solteiras para contar. Talvez a pausa seja breve, quiçá seja o fim definitivo do blog, pois pode ser que mesmo voltando à solteirice eu não me anime a escrever. O blog pode ainda virar Paulistana Solteira 35, 40, 50... (a propósito, eu já tenho 32). Sabe-se lá o que me acontecerá. Mantenham ativados portanto seus feeds e seus notificadores para ficarem sabendo de eventuais notícias, pérolas imperdíveis, guest posts, rompimentos, novos projetos, etc.

Agradeço a todos os que acompanharam o blog, aos que leram alguns textos picados, aos que comentaram, criticaram, se identificaram, recomendaram, torceram, e agradeço ao blog em si, que tão bem me fez durante esse ano, organizando meus pensamentos e me deixando extravasar a agonia, que não cabia mais aqui no meu peito, e também o riso e a alegria, que sempre vale a pena compartilhar. Boa noite, querido blog companheiro de solteirice. Te acordo quando for a hora.

22 de dezembro de 2011

Entendam os solteiros

Se tem uma coisa que me irrita é gente casada ou comprometida há tanto tempo que não lembra mais o que é ser solteiro. Me incomoda porque na maioria dos casos as pessoas te julgam, fazem piada ou simplesmente não entendem o lado do solteiro ou não se esforçam nem um pouco para se colocar no lugar dos mortais aqui.

Para muitos comprometidos (usarei esse termo genérico para me referir aos casados, juntados, namorados ou qualquer coisa do tipo) o solteiro é vadio e promíscuo. O comprometido ouve por alto ou às vezes vê que o solteiro ficou com alguém, e isso já é muita informação para a cabeça de uma pessoa que não joga mais o joguinho do ficar há anos. Parece que o comprometido esquece que antes de se comprometer com alguém vai rolar com certeza uma ficada. Na cara de muitos comprometidos nota-se uma expressão de estranhamento diante da possibilidade de beijar uma paquera, como se isso fosse coisa de adolescente, ou algo nojento ou inadequado (eu não sei se em alguma idade pega melhor não beijar ficantes, mas posso garantir que aos trinta e poucos o não beijar é que é estranho). O comprometido deve acreditar que é por causa desse comportamento que o solteiro está sozinho, no fim das contas, e esquece que ao viver numa cidade como São Paulo, ter uma idade e um estilo de vida como o que muitos de nós temos significa ter sim que recorrer a gente desconhecida para tentar encontrar companhia.

Acho que esse é um dos motivos para muitos comprometidos não irem mais a baladas: parece ser chato, ridículo ou nojento ver as pessoas ficando. Segundo, eles já têm o consorte deles. Não sei por que, mas para muitos não existe diversão numa balada quando existe um companheiro. Não é legal dançar, não é bom ouvir música, não é divertido beber, não empolga encontrar os amigos para um programa diferente. Divertir-se é sinônimo de conversar e comer, e, se possível, dormir cedo. Não sair de casa, então, é uma maravilha. (Agora que tudo indica que estou comprometida, posso manter com propriedade minha opinião de que, para outras pessoas, sair, dançar, ouvir música e beber continua sendo diversão mesmo existindo um companheiro).

Essa maneira de pensar de certos comprometidos fica evidente não só com a cara que eles fazem quando vêem ou ouvem certas histórias de solteiros mas também com o que eles falam. Canso de ouvir gente dizendo "aquele lugar é a maior pegação". Pode até ser que determinados lugares sejam por algum motivo mais propícios para as ficadas e concentre um número maior de gente se beijando, mas na real eu acho isso papo furado. Se o lugar for frequentado por gente mais ou menos da mesma idade, é óbvio que as pessoas vão "interagir". Isso só não vai acontecer se houver uma mistureba de gente cuja idade varie de zero à noventa anos, mas esses não são os lugares que muitos comprometidos gostam de ir. Eles também preferem a moçada e gente da mesma idade para se sentirem melhor, assim como os solteiros. A diferença é que eles não interagem com ninguém.

Aí você tenta agitar aquele grupo de amigos em que quase todos são comprometidos para ir numa balada. Metade nem responde ao seu email. Três quartos do restante diz que não pode ir, e a minoria que sobrou até topa (atenção para o "até"). As razões para a recusa do convite são as que já citei - lá é mó pegação -, além dos compromissos naquela noite, reais ou não, que impedem a presença dos convidados (que na verdade não vão se divertir mesmo se forem). Acontece de uns gatos pingados resolverem ir, só que aí a balada se resume a três pessoas, o que em muitos casos não funciona. Se os amigos já não forem muito animados para sair, tem que ir um grupo maior para eles se divertirem, se não, nada feito. Os poucos que vão não se divertem e prometem nunca mais voltar. E então quem é que os convence a sair de novo? Aí ninguém nunca mais topa, e os solteiros sobram sozinhos na balada. 

O problema é que os solteiros sobram na balada, na sexta à noite, no fim de semana, durante a semana, nas férias, no ano novo, no carnaval, etc. Então eles percebem que a saída para uma vida menos solitária é ter um companheiro, e saem ao mundo e ficam com pessoas quase desconhecidas nas baladas na esperança de conhecer alguém, para espanto ou nojo dos comprometidos, que não lembram mais como é a vida de um  solteiro. E assim voltamos para o início da história.

12 de dezembro de 2011

As dementes, de novo

Outro dia escrevi um pouco sobre as dementes que circulam por aí fazendo com que muitos homens achem que todas as mulheres são iguais, se comportam sempre da mesma forma e portanto é muito fácil saber o que pensa uma mulher como a Paulistana, por exemplo, solteira de trinta e poucos.  

Ontem conversando com o Intelectual II houve pelo menos dois momentos em que comprovei mais uma vez o que a tal da "nata" feminina à solta pela cidade pode causar até mesmo em homens que de intelijumentes não têm nada.

Estamos planejando uma viagenzinha para a praia e, como nos conhecemos há pouco tempo e nunca fomos para a praia juntos, lá pelas tantas ele me perguntou o que eu gosto de fazer nesse tipo de viagem. Respondi que gosto de tomar sol e andar na beira do mar, basicamente; ele já foi logo me dizendo que gosta de ler:

- Tudo bem?? -, me perguntou, enfático.
- Ué, qual seria o problema?? -, retruquei sem entender.
- É porque você pode achar que estou lendo porque estou de saco cheio, porque não gosto tanto de você, porque eu prefiro o livro a passar o tempo com você, essas coisas...

Deixarei os comentários para depois. Continuamos a falar sobre a viagem e de repente, atento como costuma ser, ele se lembrou de um detalhe:

- Você vai estar menstruada quando formos para lá?
- Pode ser.
- Mas e aí? Você não se incomoda de ir menstruada para a praia?

Olhem, não sei se os meus comentários vão ofender alguma das minhas leitoras, por isso já peço que não levem nada para o pessoal e tentem entender que o que escrevo aqui é o meu lado, a minha visão das coisas, fruto das minhas experiências, meu estilo de vida e meu jeito de encarar certos aspectos da vida cotidiana e dos relacionamentos.

O Intelectual II e eu nunca tivemos uma discussão ou desentendimento sequer. Como já comentei aqui, jamais reclamei de nada (mesmo porque não tive motivo) e ele também nunca se queixou. Estamos vivendo numa paz total; eu estou bem satisfeita e ele demonstra o mesmo. Então quem adivinha por que, apesar de eu nunca ter dado motivo, ele fez questão de dizer que em algum momento da viagem vai pegar o livro dele para ler e não é para eu ficar brava ou chateada com isso?? Por causa das queridas dementes que passaram pela vida dele e tiveram chilique quando ele teve vontade de ler. Isso para mim é insegurança ao extremo; é ter ciúmes de um livro e ser limitada a ponto de achar que a vida a dois se resume aos dois juntos, colados, de forma doentia. Estão precisando ler mais, essas aí.

Quanto ao segundo episódio da nossa conversa de ontem, sobre a menstruação, não resisto a usar o famoso "incomodada ficava a sua avó". Não há motivo nenhum para eu me incomodar de ir à praia quando estiver menstruada, a não ser que eu vá para uma praia deserta sem nenhum banheiro, mas ainda assim, até trilha de três dias pela Chapada Diamantina eu já fiz menstruada e posso afirmar que para tudo dá-se um jeito. É só questão de se planejar. Já inventaram o absorvente interno com aplicador, álcool gel, lenço de papel, saquinho plástico, etc., ora bolas. Isso tudo porque eu estava deduzindo que a mulherada usa o.b., evidentemente. Só que o moço tinha falado: "Ah, sei lá, daí você não pode entrar na água...". Como assim?? Quer dizer que as mulheres que ele conheceu até então usam aquela *&¨%# de absorvente externo até hoje, inclusive na praia, e vestem um shortinho e ficam derretendo embaixo do guarda-sol sem poder ir nadar? Desculpem-me, mas eu sofria disso lá pela metade dos anos 90, nos meus treze ou catorze anos. Já me curei!

Essa história da menstruação não interfere nada na minha vida, afinal sortudo é o Intelectual II, que pode ir para a praia comigo a qualquer momento e inclusive curtir o mar ao meu lado, sem limitações adolescentes. O grande problema é quando essas manias eternas se perpetuam na vida adulta afora, principalmente na vida sexual. Eu mesma topei com vários homens que na cama eram delicados demais, cuidadosos demais, silenciosos demais, o que só torna tudo chato demais. Uns foram assim só no início, meio tímidos, outros conseguiram mudar e começaram a arrasar com simples toques que dei, que são coisas do tipo: pode fazer o que você estiver a fim, sem filtro, sem inibições, com espontaneidade; se quiser que eu vire para outro lado, me vira, sem pedir; se tiver vontade de me jogar para lá, me joga. Esse negócio de ficar pedindo permissão para cada movimento é uma chatice. Em sexo não dá para ficar pedindo licença para as coisas. Um vai fazendo o que quer, o outro vai demonstrando se gosta ou não, e nada disso é desrespeitoso, ou seja, posso até defender uma certa "violência" no sexo, mas no fundo é tudo uma brincadeira que só dá tempero para a coisa e costuma funcionar muito bem para mim e sempre funcionou para todos os que conheci até hoje. Não há meios de me convencer que a monotonia de certos homens é apenas o jeito deles de transar. Mentira. Alguém ou algo ou as experiências prévias com mulheres deixaram eles assim. Não é natural, por exemplo, na minha opinião, gozar em silêncio. É óbvio que o cara está segurando o impulso espontâneo dele, sei lá por que diabos. E tem coisa que dá mais prazer do que ouvir e ver o outro tendo um orgasmo? Faz toda a diferença no tesão geral da transa, assim como tantos outros detalhes. Imagino então que um homem que só teve mulheres muito comportadinhas deva achar que o normal é aquilo, a mulher comportadinha, quietinha, que não se mexe, não tem vontade própria na cama e goza em silêncio. Se é que goza, a pobre (com tanta trava, não há homem que faça a mágica de fazer uma mulher ter prazer).

Aí o rapaz conhece uma mulher que é o oposto disso (normal e recatada para alguns e E.T. e pervertida para outros) e vem para cima de nós, literalmente, com aquela atitude comportadinha. Zzz... E lá estão novamente certas mulheres como pedrinhas no meu sapato.

Voltando à conversa com o Intelectual II, houve mais um episódio. Estávamos naquele assunto da praia e do livro quando ele me revelou que tinha justamente um livro para levar para eu ler. Me contou que na verdade era um presente de Natal para mim mas que podia me dar adiantado para eu ter o que ler na viagem. Mal tive tempo de pensar na proposta e ele já adicionou: "Ah, é melhor eu não te dar o livro agora, senão você vai querer outro presente no Natal". Ele quis dizer que eu iria ficar ofendida se, mesmo me dando o livro antes, no Natal eu não ganhasse nada. Vejam aí as dementes de novo. Como posso ser tão tapada para não entender que aquele seria o meu presente de Natal, independentemente da data em que ganharia o livro, e ainda por cima reclamar para ele? Dá para perceber que o moço fez pós-graduação em relacionamento com mulher medíocre.

Confesso que ontem fiquei um pouco irritada por ser tantas vezes considerada igual ao show de horror que se vê por aí. Afinal, nos conhecemos pouco mas não tão pouco assim... Mas nada que não tenha conserto, certo? Vou curtir minha praia com o mocinho e, enquanto ele lê, cavar um buraco na areia e enterrar o fantasma das dementes para que ele pare de me assombrar. 







2 de dezembro de 2011

Mente de uma figa

Meu atual relacionamento anda me mostrando que mudei bastante desde o início da minha solteirice. Uma das coisas que mais me chama a atenção é que estou aqui quietinha curtindo tudo de bom que está acontecendo e deixando as coisas que incomodam para lá, como se elas nem existissem.

O lado bom do Intelectual II ganha de longe do lado ruim dele. Eu me sinto até uma pilantra falando em lado ruim, de tão fofo e ótima companhia que o moço é. Isso portanto é um dos motivos para eu não reclamar de nada. O segundo motivo é que já caí do cavalo tantas vezes que hoje em dia tomo um baita de um cuidado com o que faço, digo e inclusive penso. Não é que em casa fico resmungando quando ele faz algo que não me agrada e depois na frente dele fico sorrindo fingindo que está tudo bem. Ando bem o tempo todo, feliz com o que estou tendo com ele, e satisfeita de como as coisas estão caminhando.

O terceiro motivo para eu me policiar e não abrir a boca para comentar nada que não esteja tão bom assim é que minhas razões seriam ou sem cabimento ou sem importância. Por exemplo, não tem cabimento reclamar que só posso vê-lo um fim de semana sim, outro não, pois ele tem um filho, coisa que jamais mudará e tenho que aceitar se quero continuar com ele. Uma razão sem importância seria eu reclamar de ele nunca me ligar durante a semana para dar um oi, apesar de estar super presente quando tem tempo livre. Ora, estamos no começo da nossa história, nem somos namorados, e, por mais que ele não ligue, ele fez planos comigo para o Ano Novo com mais de um mês de antecedência. Reclamar do quê?

A mente humana, ou feminina talvez, é porém uma puta de uma traiçoeira. Digo puta porque ela tem mais é que ir catar coquinho e nos deixar em paz. É extremamente fácil cair na bobeira de pegar um motivozinho besta para fazer a maior tempestade em copo d'água, procurar pêlo em ovo e talvez botar tudo a perder. É por isso que estou aqui nesse meu constante exercício de não encanar com nada, nada, na-da. Virei uma santa paciente que pacientemente espera. Mesmo porque, como disse antes, não tenho bons motivos para encrencar com o rapaz.

Posso até conseguir realmente não pirar com coisas desnecessárias, mas não dá para negar que tem horas que a gente gostaria de determinadas coisas, e que elas partissem do outro, sem a gente ter que pedir ou dar um toque. Nos momentos críticos a gente joga um verde para ver se o outro capta, mas nem sempre funciona. Seria excelente se os outros soubessem o que a gente precisa em cada momento, mas, como diz meu atual mantra, não se pode ter tudo. Mas que seria ótimo se ele ligasse para saber como estou... Afinal eu contei que estava doentinha....

Ele não ligou. O que será que quer dizer isso? Ele não está nem aí para mim? Ele não quer ligar porque não quer dar uma cara de namoro para o relacionamento? Isso quer dizer que ele não quer compromisso? Putz, essa história vai ser como todas as outras? Ele ficou no trabalho até super tarde e esqueceu? Esqueceu?? Ou ele simplesmente achou que era tarde demais para ligar para alguém que está de molho na cama ou então nem percebeu que seria legal dar uma ligadinha para saber se eu tinha melhorado?

É claro que é muito mais saudável, tanto para os meus nervos quanto para o nosso relacionamento, ficar com as duas últimas opções, principalmente tendo em vista todas as outras mil coisas maravilhosas que aconteceram e o que ele disse, fez e demonstrou até agora, vide a última boa pérola da semana. Portanto, mente de uma figa, vá tomar banho e me deixe aqui tranquila durante a semana com as minhas boas recordações e minha ansiedade gostosa para o fim de semana. Um relacionamento se faz com duas pessoas, e você não é bem vinda.